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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

Corredora Zen :-)

PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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CorredoraZen fez: teste ergoespirométrico SportsLab


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 25/01/12 às 14:52 na(s) categoria(s) review
Pessoas, bateu aquele momento Check List do Cruce. Aquele onde você descobre que não tem pilha na sua lanterna de cabeça, que você não testou se o colchão inflável infla mesmo e que falta o teste ergoespirométrico. Oi? Teste? Que teste?

Pois é, este ano, além do atestado médico (que já era obrigatório nas edições anteriores da prova) é preciso levar um teste ergométrico --o ergoespirométrico não é obrigatório, mas já que você vai ter que fazer, faz direito e faz o mais completo, né não?

Pois pessoas queridas, eu preciso confessar uma coisa. Eu não estava assim suuuper animada para fazer o teste. Para ser absolutamente sincericida (sinceridade suicida), quando vi que era obrigatório MESMO o que pensei foi "ai que saco". Não é bonito, eu sei, mas no meio da correria no trabalho (afinal eu vou ficar fora esses dias da prova), do check list das coisas, ainda ter que marcar o exame parecia algo bem mala de fazer.

Mas eu fui e fiz e tenho que confessar outra coisa: eu a-do-rei. Sério. Achei muuuuito mais interessante do que eu me lembrava --porque, já que estamos num Momento Confessionário, o último que eu fiz foi quando comecei a correr, há milênios atrás, e não lembro absolutamente nada dele, só que tinha que correr na esteira e no final eu estava liberada e podia começar a praticar corrida. Claro que eu perdi esse teste há muito tempo e não faço idéia de qual eram meus resultados. Assim, uma pessoa super responsável.

Mas, todavia, contudo, entretante, como todo mundo merece uma 2ª chance, fui para o teste disposta a entendê-lo --ou seja, fui preparada para usar toda minha formação jornalística para atormentar os testadores com perguntas. E nesse ponto, a SportsLab foi o lugar perfeito para isso. Porque a SportsLab tem o Rogerio. E o Rogério (vulgo Dr. Rogério Neves, médico fisiologista e especialista em medicina do esporte) não só tem paciência de responder perguntelhas como ainda se entusiasma e explica resultados desenhando gráficos no papel. Mas deixa eu contar como é este teste e porque agora eu virei fã dele.

A 1ª coisa que acontece quando você chega e coloca seu outfit de corrida/teste é ser pesado e medido e ter que responder questionários. É aí também que contece a checagem dos seus níveis de hidratação, o que é feito via bioimpedância elétrica, ou seja, colocam eletrodos em você e o aparelho mede a quantidade de água no seu corpo. Demora tipo 15 segundos. E não dói.

Aí já começaram minhas descobertas. Porque ao olhar meu teste, o dr. Rogério disse "você não sua muito né?". Gente, pensei, ele é meio vidente. Vou perguntar os números da megasena para ele já. Mas claro que não era magia, era tecnologia. Porque aprendi que, apesar da minha hidratação estar bem OK e dentro do normal, a distribuição da água dentro e fora das células não estava. Aprendi que a água do nosso corpo é dividia em água intracelular e extracelular. Pois esta extracelular minha é baixa. E daí?

E daí que é daí que vem o suor. E o suor é que dá aquela regulada na temperatura quando a gente corre, esfria o corpo e evita o hiperaquecimento que faz a gente parar na hora. Se o reservatório de onde o suor deveria vir já está meio vazio, o corpo espertamente economiza, e não deixa você suar muito. Ou seja, a minha regulagem de temperatura não está boa, e isso pode me fazer diminuir e ter que parar antes do que poderia.

E tem cura? Tem: beber mais água durante os treinos. Eu já bebo, mas o teste te fala quanto seria o ideal de beber por hora de treino --no meu caso 450ml a 600ml (lembrando que isso varia de pessoa para pessoa). O que eu quero ver é como fazer para tomar tudo isso num dia de tiro, que é quando qualquer aguinha a mais chacoalha no estômago e conversa com você até o final do treino.

Mas voltando para o teste, depois de ser medido, pesado e analisado, você está liberado para ir para a esteira e correr. Se fosse só isso estava ÓTEMO, o problema é que tem mais uns equipamentinhos que vão junto com você. Primeiro os eletrodos, que para mim não incomodaram nada, nem lembrava que eles estavam ali. Aí vem a máscara, que vamos combinar, não é exatamente algo gostoso de se usar. Cobre toda a sua boca e você tem que encaixar segurando com os dentes. Bonito não é, como vocês podem comprovar nas fotos. Mas aí vem o que foi o pior para mim: um negocinho que fecha seu nariz, tipo as meninas do nado sincronizado.

O problema é que eu basicamente respiro pelo nariz, então deu uma sensação de ahhhh-não-consigo-respirar-solta-meu-nariz. Mas claro que eu não dei pití nenhum e depois de um tempo melhorou bem, apesar que passar não passou. Mas não mata ninguém nem traumatiza.



Aí começa o teste ergoespirométrico em si, que vai avaliar sua potência aeróbica / cardiopulmonar e sua aptidão física. Você começa andando, depois começa a correr e vai aumentando a velocidade. Quando você está morrendo, ele coloca uma inclinação na esteira e aí sim, você tem certeza que vai morrer. E aí tem mais uns 15 segundos que parecem durar eternamente. E quando passam você acha que não foi tão terrível assim e daria para ter aguentado mais, mas aí é tarde e o teste já acabou.

Aí você relaxa num aparelinho delícia que faz uma ativação muscular e cirulatória --vulgo você recebe uma massagem relaxante vibratória nas pernas. Seria perfeito pós-treino de tiro. Fica a dica, Cris.

Depois disso tudo, senta que lá vem a história, é o momento em que você entende seu teste, que avaliou o comportamente do seu coração frente ao esforço --aliás, é aí que muitas vezes o teste conseguiria pegar potenciais problemas como arritmias, falta de oxigenênio etc e impedir que a pessoa descubra que tem algo assim do pior jeito, que é passando mal, desmaiando ou tendo um troço durante uma corrida.

Para quem corre, o mais legal é aprender sobre seus limiares e o VO2 máximo, que é o nosso potencial atlético (ou falta dele). O VO2 max. mede o consumo máximo de oxigênio, o quanto conseguimos gerar de energia, o que é medido em ml/kg/min. O que determina esse número, é uma junção de fatores: genética + condicionamento físico + constituição física. E dá para melhorar seu resultado?

Dá! Claro que você vai ter um teto, um limitador que é a genética, mas nos outros 2 fatores dá para mexer bem --perdendo as bóias e emagrecendo e treinando mais, melhorando seu condicionamento. Eu, que descobri que não sou uma atleta de alto nível (ah vá), tenho pelo menos uma esperança de melhora que nem é pouca: segundo o Rogério, dá para melhorar mais ou menos 20%. Não sei se no meu caso dá mesmo ou se ele foi bondoso porque eu fiquei decepcionada de não ser um Haile Gebrselassie adormecido num corpo de Corredora Zen.

Mas ainda não acabou. Porque aí aprendi sobre o limiares, que são os momentos durante sua corrida acima das quais começa o acúmulo de ácido lático no sangue e no músculo. O teste determina seus 2 limiares: o L1, ou 1º limiar, é seu liminar aeróbio e o L2, ou 2º limiar, é o limiar anaeróbio. Einh?

O que importa aí é que você aprende qual é a velocidade onde você deve fazer seus regenerativos e aquecimentos --que é abaixo do L1--, qual a faixa de velocidade onde você melhor trabalha endurance e consequentemente melhora resistência --entre o L1 e o L2-- e onde você precisa fazer seus treinos de tiro, melhorar potência e velocidade --acima da L2.

O que fiquei feliz é que eu tenho trabalho certo nessas faixas. Mas eu também fiquei com a sensação de que eu poderia ir bem mais nos tiros --quero dizer, não é bem mais rápido, mas que eu poderia forçar mais, ficar mais perto do meu liminar final. Porque a sensação que tive no teste eu quase nunca tenho nos tiros, o que talvez signifique que eu tenho ficado um pouco abaixo do desconforto que eu consigo aguentar.

Como sempre, é muito fácil na teoria do que na prática. Mas a verdade é que aprendi um bocado com esse teste e melhorei um pouco mais minha consciência corporal (que eu falei no post passado) e ainda descobri coisas que podem melhorar minha corrida.

Deu vontade de voltar --idealmente depois de ficar com corpitcho Bundchen e corrida Paula Radcliff-- e refazer o teste daqui um tempo e ver o que mudou. E se você está começando a correr, faça --e, ao contrário de mim, GUARDE o teste. Se morar em São Paulo, vai lá na SportsLab e pede para fazer o teste com o Rogério. E encham ele de perguntas por mim, afinal os leitores desses blog gostam de corrida e de uma boa conversa.
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Corredora Zen :-) testou: Brooks Green Silence + ...


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 23/11/11 às 11:33 na(s) categoria(s) review
Depois do post anterior reclamando da falta de cores não-rosa para tênis femininos, estou realizada. Pude estrear meu novo e COLORIDO Brooks Green Silence na meia maratona Athenas, que rolou esse fimde aqui em SP.

E colocando em prática novamente minha tese de que tênis bom não precisa amaciar (viu Nishi?), você calça e sai correndo, o Brooks vermelhão & amarelão fez bonito. Comprei na 5ªf, usei para fazer um trotinho de meia hora no sábado e já fui pros 21K no domingão. Resultado: perfeito! Me ajudou a fazer um tempo recorde sub 2h sem bolhas, sem comida de pé no calcanhar ou beiradas, sem atritos machucantes. Nem lembrei que ele existia durante a prova --o que é o ideal quando se trata de tênis de corrida.

O Green Silence tem esse nome porque, segundo a Brooks, tem uma proposta de ser ecologicamente correto. Um aparte: esse terminho me incomoda pacas, apesar da idéia ser bacana. Mas vamos combinar que sustentável MESMO seria correr descalço ou pelo menos não comprar tênis novos e usar os seus até desmancharem. Ao comprar esse tênis, eu já não fui nada sustentável --mas tenho usado ou meus até desmancharem literalmente.

Mas estou saindo do assunto. Voltando ao Green Silence: eco-amigável significa que ele tem solado biodegradável, que 75% dos materiais usados no tênis são reciclados, que as tintas não são tóxicas, que a embalagem tbm é reciclada e vários outros cuidados do gênero. Não vai salvar a humanidade daquele meteoro que todo mundo sabe está chegando, mas é uma ação prática bastante louvável.

Para quem gosta de um tênis mais minimalista --vulgo com amortecimento mínimo-- flexível pra caramba e muito muito confortável, esse é o tênis. Além do detalhe não menos importante de ser BONITO, o que no caso significa cores fortes e design simpático. Deixa seus dedos se mexerem dentro do tênis e o pé articular totalmente, ou seja, nada daquela sensação de que seu pé é uma prancha dura que só articula no tornozelo que os tênis com amortecimento maior me dão.



O complemento do teste foi o porta-chip Switcheasy RunAway Nike Plus iPod AnyShoe Adapter (que nome curto e fácil, não é minha gente?). Eu tenho gostado bastante de usar o SportBand da Nike, aquele reloginho que sincroniza com um chip que vai no tênis e te dá pace, cronômetro, quilometragem, calorias e, claro, a hora. Vulgo um pedômetro chic, primo pobrinho de um Garmin da vida, que tem GPS, mostra o percurso, dá pace km a km e provavelmente ainda de te chama de sua linda nos momentos mais duros do percurso.

O único problema é que o chip foi criado pela empresa para (óbvio) ir dentro dos tênis Nike, que têm um espacinho próprio para isso embaixo da palmilha. Até aí, se eu fosse da Nike faria a mesma coisa, estão certíssimos. Só que eu não sou e tenho tênis de tudo quanto é marca, além de sentir falta de usar o reloginho especialmente nos treinos de montanha, onde Salomon rulez.

A solução foi pesquisar na internê e achar um portachip que resolvesse o problema. Achei na gringolândia, via minha amiga Amazon.com. Dos portachips nacionais não achei nenhum que fosse rígido e desse uma protegida contra respingos e chuvinha, então fui nesse mesmo.

Baratex e eficientíssimo. Não acho que ele segure um mergulho no rio (vamos descobrir o que acontece com o chip quando molha em breve), mas tem funcionado muito bem em trilhas e treinos normais no parque. Vi pessoas reclamando que era frágil, mas comigo por enquanto tudo tranquilo, não quebrou nada nem se soltou do tênis.

Achei ÓTEMA solução para quem usa o reloginho ou sincroniza com iPod/iPhone e quer usar seu Conga para correr.
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Corredora Zen testou: Salomon Speed Cross II


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 18/01/11 às 15:17 na(s) categoria(s) review
Vocês sabem, eu nunca fui fã de futebol. Mas apesar de nunca ter tido inveja da aula de educação física dos meninos (que era como o dito caderno de "esportes" dos jornais, basicamente 80% a 90% futebol e "o resto"), tinha uma coisa que eu cobiçava: as chuteiras. Aquele calçado com cravos na sola sempre me pareceu O Máximo, mesmo que eu não soubesse bem para que serviam e não tivesse intenção alguma de jogar bola com ele.

Pois bem, uns 30 anos depois, mais um trauma riscado da lista: agora eu tenho uma chuteira também, TÁ?? E com essa eu sei bem o que fazer: correr nas trilhas. Chuteira, como vcs já adivinharam, é o apelido que dei para o Salomon Speed Cross II, que eu coloquei a prova nos 50K de pura piramba do Northface Endurance Challenge. Como chama um tênis preto, fininho e cheio de cravos na sola: chuteira, né pessoas?

Para encurtar: eu ADOREI. Já é, de longe, meu tênis predileto para trilha. Porque eu estava sofrendo com a perspectiva de fazer os 50K com os tênis de trail running que eu já tinha, que eram 2 outros Salomons (XT Wings e Salomon XA Pro). Não que eu não goste deles, fiz o Cruce de los Andes 2010 com os dois e foi tudo bem, mas é que de lá para cá abracei mesmo o estilo de tênis mais fino/baixo e o soladão do XT Wings começou a me incomodar nos longões, me cansava muito mais que os baixinhos. Já o XA Pro, apesar de mais baixo, é meio duro e pesadinho, não é uma sola flexível (apesar de ter um grip excelente).

Eu sei, eu sei, isso tudo é para te dar estabilidade nas corridas de trilha. Mas mesmo assim eu queria algo menos durango e mais solado, mais pé no chão. Aí encontrei o Speed Cross. Amor a 1ª vista, na loja o pé fez até aquele "aaaahhhhh" quando provei. Macio em cima e dos lados, dá uma sensação de algo fofinho que abraça o pé. O solado firme mas beeeem flexível. Tem biqueira mas não pega no dedão. E tem os cravos.

Esses cravos são tudo nessa vida quando vc pega lama. Não escorrega de jeito nenhum (a não ser que seja na pedra lisa, aí nem santo resolve). E os cravos te impulsionam de um jeito na grama e na terra que dá até gosto. O lado ruim é que, como ele, vc não consegue jogar a culpa no tênis, não dá para soltar aquele "é que estava muito escorregadio e não deu para ir mais rápido". Tem que admitir que faltou perna mesmo.


Claro que, se vc tentar correr com ele no asfalto vai ser péssimo. Além de gastar os cravos, vc vai se sentir brecando o tempo todo. Ele é trilha only, mas nas pirambas faz bonito e não te deixa na mão, seca rápido depois de entrar na água e na lama e deixa o pé respirar.

Mas, todavia, contudo, entretanto, se vc gosta de tênis que dê aquela suuuuper estabilidade no pé, tem chances de não gostar tanto assim da chuteira. Já ouvi pessoas reclamando que é muito mole - então depende do que vc curte. Mas antes de torcer o nariz, dê uma chance para o Speed Cross II que ele é bom de trilha!

Ah sim, e vamos fazer um abaixo assinado para as lojas nacionais arrumarem os modelos COLORIDOS, que essa opção chuteira all black pode ser legal mas não precisa ser a única né?
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50K: vai que dá


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 18/12/10 às 01:11 na(s) categoria(s) review
Sim, sim, sim pessoas, estou de volta para contar que EU CONSEGUI, ou seja, fiz os 50K do North Face Endurance Challenge. Vcs vao me perdoar a demora e a falta de acentos quando entenderem pq: eu estou DE FÉRIAS. E este é um evento que merce estar em caixa alta (vulgo maiúscula), pq é algo que não me acontecia há uns 4 anos pelo menos. E está sendo ÓTEMO, ainda mais que minhas férias começaram com esta incrível aventura que foi esta prova.

Para começar, a localizaçao, na linda, divertida, descolada e pirambenta San Francisco. Como sempre, ir para essas provas em grupo garante uma diversao extra que eu considero indispensável. Todo mundo listando equipamentos, trocando dicas, escolhendo o que levar na mochila, o que comer antes, durante e depois (mesmo que a gente nunca siga o planejado).


O grande suspense era: vai chover na prova ou não vai? A previsao dizia que sim. Minhas esperanças torciam para que nao. Porque chuva faz parte mas é chato, né? E um dos principais atrativos dessa prova é o visual.


No dia anterior, jantar num tailandes delícia: apimentado e muito saboroso. Para quem curte e já está acostumado com o spicy, uma ótima pedida. Despertador ajustado para as 4h30, taxi programado para as 5h15 -isso p/ chegar ao ponto de encontro onde o onibus da organizaçao nos levaria até a largada (programada para as 7h p/ os 50K e p/ as 5h para as 50 milhas/80K).


Chegamos lá, frio mas nada terrível, ainda estava escuro – só amanheceu lá pelas 6h40. Tendas com chá, café, leite, isotonicos, frutas, pao. Nada de chuva, oba! Nosso grupo de 4 (o resto do pessoal estava divido entre os 80K, meia maratona, 10K e 5K) ansiosíssimo para largar. Tiramos os cortaventos, subimos os manguitos (meu acessório predileto) e fomos para a largada. Na hora que o cara começa o ten, nine, eight, adivinha? Começa a chover, claro. Garoinha, só para provar que a Lei de Murphy existe mesmo. Mas a adrenalina era tanta que nem sentimos.


GO!!! E assim fomos, um grupo de pessoas animadas estradinha de terra afora. Um clima de amizade grande, várias duplas de amigos correndo e conversando, tipo 50K é meu treino longo de final de semana. Na minha frente, um mocinho de olhos puxados e FiveFingers no pé. Isso mesmo, o moço correu os 50K com seus Vibram de 5 dedinhos e um leve solado de borracha, com zero amortecimento e zero sustentaçao . E tudo bem.


A chuvinha logo diminuiu e a estradinha já era bonita desde o começo: visual montanha com direito a ver o dia chegando. Encontrei meu ritmo e fui, encarando a subida que já começa no KM 1, para vc entender que vai ser assim até o final. No PC 1 o povo fazendo festa, quase uma largada 2. Detalhe: em cada PC tem banheiros químicos, é uma prova que vc só vai no matinho se quiser (ou se não der tempo). Passei pelos 2 primeiros Pcs sem sentir, feliz. Sabia que lá pelo KM 14 ia começar uma das piores montanhas do percurso – alem de ter estudado a altimetria, fiz uma cola esperta, só com a quantidade de KM que faltavam até o próximo PC. Para mim funcionou super. Assim, quando eu chegava a um PC, olhava e pensava: agora tenho que correr 6,3K e pronto. aí chegava no próximo PC e minha meta passava a ser correr 5,4K e por aí vai.


Só tinha 2 Pcs com trechos mais longos entre eles, ambos de 9K e pouquinho, antes e depois disso eram sempre distancias como 5K (4,3K, 5,6K etc), o que psicologicamente era ótimo.


Quando começou a 1a montanha master, uma surpresa boa: a subida era circulando a montanha e não numa pirambeira em linha reta. Deu até para forçar mais o ritmo. Nesse trecho choveu novamente e chegou até a molhar, mas depois passou para sempre. E o visual dessa montanha, pessoas, o que era aquilo??


Vc ia subindo e aos seus olhos ia se abrindo a vista para o mar. Quando vc chega ao topo, está no alto da montanha, vendo o mar, umas praias, a encosta toda verde, o penhasco, lindo lindo lindo, chegava a emocionar. Em momento algum me perguntei o que é que eu estou fazendo aqui? , porque a resposta era óbvia, era só olhar a paisagem e saber que era para ver tudo aquilo que eu tinha vindo.


Depois era descer a montanha, passar no PC e começar a próxima ladeira. Aliás, nota 10 para os Pcs: tinha batata assada com sal (minha predileta), sopa quentinha, refrigerantes, isotonicos, água, batatinha frita (tipo salgadinho), brownies de chocolate muito bons (que só comi nos 2 últimos Pcs pq foi quando deu vontade), aqueles docinhos de gelatina, sanduiches de peanut butter (adoro) e/ou geléia, enfim, um banquetinho.


E o povo corredor? Estados Unidos tem uma coisa engraçada. Toooodo mundo é treinado, desde criança, a ouvir e falar good job quando faz algo legal ou certo. Todo mundo. Reforço positivo é quase uma lavagem cerebral, vc pode ser rebelde, depressivo, emo e do contra, mas mesmo assim vc sabe que o certo é falar good job. Entao quando as pessoas crescem e viram corredores, ao passar por qualquer pessoa soltam um GOOD JOB! com o maior entusiasmo. Sincero mesmo. E legal mas excessivo para quem não está acostumado. Porque a pessoa te dá um Good Job e te passa a milhao. Na verdade o good job é dela e não seu né? Mas enfim, a intençao é boa, entao aproveita e faz como a Déia e grita GOODJOB! para os outros antes que eles gritem para vc.
E aproveita a vista que vale a pena.

Em um dos lugares vc sobe desgraçadamente mas chega num lugar que ve San Francisco inteira, com Golden Gate e tudo, lindo demais. Tem uma parte que é uma trilha dentro da floresta, estilo Floresta Encantada, as árvores e folhas todas vestidas de vermelho e amarelo, cachoeiras aqui e ali, chao forrado de folhas marrons, amarelas, laranjas.. Tipo aquelas fotos que depois viram base para quebracabeça, sabem como e?


O melhor de tudo é que tudo o que sobe... desce! E como desce. Eu sei que descida é o que mais detona, bla bla bla, mas eu adoro. E olha que eu nem sei descer rápido como gostaria. Mas acelero o máximo que posso e despenco feliz.

Só posso dizer que numa distancia como essa, ter subida e descida é fundamental. Porque se fosse só um grande plano não sei se ia segurar, primeiro porque ia ser chato pacas. Segundo porque o movimento repetitivo ia ser pesado, enquanto que subindo, descendo e pegando planinhos (bem inhos), vc vai mudando o foco na musculatura.


E quando vc passa o último PC (ou penúltimo se pensar que o último é depois da chegada)? são os 5K mais longos da sua vida. Porque essa hora vc já sabe que conseguiu, que vai fechar os 50K inteira (entendo o conceito de inteira como uma pessoa cansada, acabada porém sem lesoes ou dores excruciantes) e quer chegar LOGO. E não chega NUNCA. Aí vc acelera, da tudo, um sprint que não sabia que tinha e... não chega nunca. Aí acelera de novo, da outro sprint e... CHEGOU!!! Fiz em 8h45, zero bolhas nos pés, zero lesoes, muito cansaço e muita felicidade. Claro que na hora que vc passa a linha de chegada, até sentar na cadeira é um esforço, de tao travada que vc está. Mas e o sorriso? Esse parece que gruda na sua cara e assim vc fica até chegar ao hotel. Do nosso grupo de 50K, todo mmundo terminou a prova incluind a Déia --que teve forças para correr como o the flash mas passou frio por preguiça de levantar o manguito, vai entender -- e a super Naomi, que provou que dobrar a curva dos 60 anos não é impedimento para fazer 50K.



Foto: Corredora Zen terminando feliz os 50K, by North Face Endurance Challenge

Mas puxa, vcs devem estar se perguntado, foi tudo tao Pollyanna Moça assim? Tudo taaao ótimo e maravilhoso? Bem, pessoas, nem tanto. Teve O Dia Seguinte. Que é aquele dia em que vc acorda e pensa AI. DOR. O pessoal que correu 80K entao.. Nosso grupo parecia um time de zumbis, todo mundo fazendo careta e andando com as pernas duras, sem dobrar os joelhos. Vc ouvia um coro de gemidos: éramos nós descendo 2 degraus. Mais gemidos: sentar na cadeira, agarrando os braços da dita com todas as forças.


Claro que isso não nos impediu de passear por San Francisco todos os dias. No 2o dia eu arrisquei até uma aula de yoga, que foi a melhor coisa que eu fiz: soltou boa parte da travaçao. No 4o dia rolou até uma bike. So para soltar, sabe assim? Essa era a promessa. Até ver que o passeio que fizemos, até o Golden Gate Park era longe pra dedéu. O resultado foi eu e a Vivi voltando de bike entre muitas risadas, tentando achar um caminho de volta com menos ladeiras (em San Francisco, tipo impossível) e vendo a cara de espanto do povo quando checávamos se a rota estava certa. Todo mundo nos olhava com cara de are you crazy? quando dizíamos para onde estavamos indo, e avisavam prestativamente que era very far away. Valeu pessoal, ótima coisa para dizer para quem está montado na bike obviamente sem chance de ir de outro jeito. Good job pra gente, que voltamos alegres e firmes na hora do rush, quase duas nativas.


Ou seja, se vc está cogitando uma prova dessas, fecha djá. Treine certinho, não mate longoes, fique amigo das pirambas e acredita: vai que dá!
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Yes, nós temos Bikilas!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 07/08/10 às 18:54 na(s) categoria(s) review
Pessoas, minha super amiga e sócia Ceci fez uma colaboraçao inestimável para este blog: trouxe uma novidade quentinha que implora para ser testada. Apresentando a vcs o próximo teste da Corredora Zen – tcharammm – um lindo e colorido par do Bikila, modelo mais focado em corrida da Vibram FiveFingers, o calçado do coraçao de boa parte dos corredores que curtem minimalismo no que se refere a calçados para correr.
Primeira impressao super relevante: é lindo. E me desculpem as pessoas super práticas que acham que isso de visual, cartela de cores e beleza é uma inutilidade fútil, mas design é fundamental. Ao menos para este blog. Por isso não me espantei ao descobrir que a Vibram é italiana – esse povo que tem design nas veias.


Ok, assumo que rolou um momento deslumbre com as cores coloridérrimas. É que é algo que eu sinto MUITA falta nos tenis de corrida, ou melhor, nos modelos femininos. Quem é essa pessoa que decidiu que TODAS as mulheres só gostam de branco com corzinha pastel? Uma pessoa com TOC de rosa bebe, azul cuequinha e verde água, com certeza. Juro, me dá um tédio olhar as prateleiras. Ainda bem que nos últimos tempos isso tem mudado, eu tenho um Brooks pink susto e tem um Nike Lunar Glide roxo com cores cítricas que adoro, assim como o Brooks Green Silence, que está na minha lista. Mas que ainda está longe das opçoes da prateleira masculina, não há o que discutir. Entao ver a cartela desse Vibram foi um verdadeiro colírio.
Passado o Momento Experiencia Estética, segundas impressoes: muito macio, mas resistente. E leve, muuuito leve. Vestir exige uma certa curva de aprendizado, pq da primeira vez eu pastei uns 10 minutos até conseguir colocar tooodos os dedinhos em seus respectivos espaços – o dedao é fácil, mas os ultimos 3... Mas depois que vc consegue, é super confortável. Realmente, é o mais próximo ao andar descalço que eu já experimentei. Também é engraçado ver seus pés vestidos com ele. Eu gostei, mas as pessoas vao apontar e cochichar na rua – o que pode ser um ótimo quebra gelo para conhecer gente ou o inferno na terra, dependendo da sua personalidade. Eu, que sou mais caminho do meio, só me divirto.
Como eu gosto de ler historinha, achei bacana descobrir que a Vibram existe desde 1937 e que esse conceito FiveFingers veio do neto do fundador, que comprou a idéia assim que foi apresentado a ela. Tbm adorei saber que vc lava na máquina e seca no varal. E o nome do modelo, em homenagem ao maratonista etíope que corria descalço Abebe Bikila, tbm foi uma ótima sacada.
Mas isso era só p/ dividir a novidade com vcs, pessoas amigas. Porque esse teste vai demorar um pouco, que vou seguir as sugestoes da empresa e começar com o básico: andando, aiás andando por no mínimo 1h com a Mindoca, a simpática modelo que mostra o meu par de Bikilas neste post. A partir daí eu começo a arriscar um trotinho, ver o que acontece – e conto para vcs aqui, lógico.
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Corredora Zen testou: Booster polaina de compressão


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/07/10 às 13:14 na(s) categoria(s) review
Polaina é um nome péssimo, né? Mas fazer o quê se eu escolhi a polaina e não a meia para testar? Eu comprei a Booster, que é da francesa BV Sports  no final do ano passado, pensando no Cruce de los Andes, que fiz em fevereiro deste ano.  

Eu já vinha companhando essa ascensão das meias de compressão, o pessoal mais pró dos treinos usando e dizendo que era bacana e, claro, quis dar meu pitaco também. Mas optei pelo modelo polaina e não meia por um motivo simples: em uma prova como o Cruce, usar a mesma meia nos 3 dias é impensável, já que no final de cada dia ela vai estar molhada e emporcalhada. Já a polaina é que nem o manguito, dá para usar mais de um dia se quiser.

A primeira impressão foi da leveza do tecido, bem diferente de alguns modelos que eu tinha provado e que davam uma sensação de lycra ou de meião de futebol. A qualidade do material ficou comprovada no Cruce: secava super rápido e não deixava marcas (vi algumas que deixavam a pele marcada no lugar da costura).

 

Faz diferença usar? Faz, mas sem exageros. Penso que quanto mais atleta performance vc é, mais diferença faz. Mas as pernas cansam menos e dá uma sensação de que vc consegue fazer mais força sentindo menos. Ou seja, se vc é um corredor não-elite, vulgo pessoa normal, vale usar quando for fazer muuuuuita força e nas provas mais casca.

Prós: material leve e resistente, seca rápido, compressão confortável, alivia cansaço durante as provas.

Contras: esquenta, deixa você com aquele look jogador de futebol e não tem para vender no Brasil.
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Corredora Zen testou: Nike Free 5.0


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 29/06/10 às 10:56 na(s) categoria(s) review
Vocês sabem que eu curto um tênis mais pé no chão, de preferencia daqueles que vc consegue dobrar no meio facinho. Foi leve e bem flexível eu já gostei, porque para ter uma sola tao dobrável não tem como ter aquele amortecimento todo – que apesar de ser o que as pessoas normalmente mais gostam, me incomoda muito.

Como foi algo que eu fui descobrindo instintivamente, variando sempre as marcas e os modelos, foi uma surpresa agradável descobrir essa tendência de correr de forma mais natural, mais próxima ao correr descalço (eu já falei um pouco disso NESSE POST AQUI).  Foi por isso que resolvi comprar e testar o Nike Free 5.0. Porque quando fui na loja e peguei o modelo na mão e ele dobrou sem resistências, fiquei muito interessada em saber como seria treinar com ele.

 

Mas antes de falar do teste em si, preciso pontuar algumas coisas. A primeira é que essa linha Free da Nike tem exatamente essa proposta de simular a corrida descalça. Eles criaram uma graduação, que vai de 0 a 10, onde 0 é vc correr descalço total e 10 é usando aqueles tênis deles mega acolchoados com amortecimento master.

Fora do Brasil, vc consegue achar modelos da linha Free que vão do 3.0 ao 8.0 (fora o 10, lógico), além de opções voltadas a corrida em trilha. Em terras tupiniquins só vi o 5.0. Achei a proposta sensacional, mas vejam só o fail: não é tão fácil ficar sabendo de tudo isso sem ter a curiosidade de ir atrás. Porque nas lojas brazucas o Free está simplesmente na seção de running/corrida e é apresentado como um tênis leve e flexivel mais para treino. Eu fui em umas 5 lojas e em nenhuma ouvi menção a essa proposta de simular corrida descalça, e o mais preocupante: nenhum aviso de que se vc não está habituado a correr com tênis assim é importante começar aos poucos para não se machucar, porque o seu pé não vai estar acostumado a se mover desse jeito e isso demora um pouco a acontecer.

No SITE BRASILEIRO DA MARCA isso está explicado, mas não com a clareza e detalhamento dos sites gringos. Aliás, dizem que na caixa de outros países vem até um manualzinho ressaltando isso e sugerindo como se adaptar a nova pisada sem traumas. Deem uma espiada no SITE AMERICANO DA MARCA  e nessa explicaçao AQUI  Deixar de trazer essa info para cá é uma pena para um conceito tão bacana. Será que isso ainda vai mudar? Porque se alguém mais desavisado (ou seja, quase todo mundo) e que estiver acostumado com tênis com bastante amortecimento simplesmente levar um desses e sair para um treino de 10K assim a seco, a probabilidade de dores no dia seguinte é alta.

Agora, se vc já costuma correr com tênis mais baixos e flexíveis, vai amar. Quero dizer, eu positivamente ADOREI o Nike Free. Achei confortabilíssimo, macio e muito leve mesmo. Onde mais senti diferença foi nos treinos de tiro. A sensação foi a de fazer menos força para alcançar mais veocidade, e como ele te força a uma pisada bem mais leve, pessoas pé de chumbo que correm mais pesado como eu conseguem melhorar bem a passada – com ele eu até virei pé de algodão, uma glória pessoal (para entender leia esse post AQUI).

Eu não senti dor nenhuma – já estou usando há uns 2 meses- mas tem que levar em consideração que não uso os tênis mais altos e fofifnhos, seja qual for a marca, entao meu pé já deve estar meio que acostumado. Mas dá para notar claramente que o Free faz vc repensar sua pisada. Não rola MESMO de correr pisando o calcanhar primeiro, que eu já não fazia antes mas que os tenis com bastante amortecimento meio que te levam a fazer. Com um tênis minimalista como esse, vc tende a pisar com o meio do pé e a correr mais saltado, ou seja, mais leve. Mas com certeza se vc está pensando em fazer essa transição tem que pegar leve no começo.

Não sou expert nem tecnica de nada, mas acredito que começar com trotinhos leves (ou caminhadas se vc for adepto dos fofoes de sola bem estruturada) e especialmente treinos curtos é uma forma de não errar. Eu também não sou médica nem treinadora para dizer com certeza que essa é a melhor forma de correr, até porque acho que não existe A Melhor Forma, acho que existe O Que Funciona Melhor Para Você. Eu tenho o pé bem estreito, mais pro chato (apesar de sempre usar pisada neutra e não me dar bem com modelos pronadores) e preciso super sentir a sola do pé se esparramando e se movimentando ao máximo, assim como tenho que conseguir sentir os dedos do pé se movendo e ajudando na impulsão. Todas as vezes que usei tênis super estruturados e amortecidos, a sola mais inflexivel não deixa meu pé se mexer muito, o que resulta em cansaço e muitas vezes dor.

Se vc é como eu, provavelmente tem boas chances de curtir o Free 5.0. Se não, tente um nem que seja para usar fora dos treinos, so para ver como é uma pisada mais natural. De qualquer forma, bom senso é tudo nessa vida: experimenta bem antes de comprar, dá uma daquelas corridinhas ridiculas na loja com ele e vê o que seus pés dizem.

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