Musculatura desacostumada ao esforço físico é mais propensa às lesões
Foto: Ulrik De Wachter/ stock.xchng
O joelho é uma estrutura muito propensa à lesões, devido à sua pouca mobilidade e aos diferentes esforços a que é submetido. Estas lesões podem ocorrer por excesso de uso (provocando micro ou macro-traumas na região), sobrecargas mecânicas e principalmente por práticas de esportes de impacto.
Um dos locais mais comuns no joelho a sofrer lesões em atletas é o tendão – ou ligamento patelar – que é a estrutura que liga a patela à tíbia e que, juntamente com o músculo quadríceps, seu tendão e a patela formam o chamado “mecanismo extensor do joelho”. Os esportes mais relacionados às lesões desse tendão são os que geralmente envolvem saltos como voleibol, basquetebol e algumas modalidades de atletismo.
Por essa razão, a lesão do tendão patelar por trauma repetitivo pode também ser chamada de “joelho do saltador” ou jumpers knee, lembrando que, tais lesões não são exclusivas desses esportes e ocorrem também em outras atividades esportivas, como futebol, corrida e tênis.
Em geral, as lesões do tendão patelar podem ser enquadradas em tendinopatias (com diferentes fases de gravidade), rupturas totais e rupturas parciais. Tendinopatias leves podem provocar um ligeiro espessamento no tendão, bem como alteração de sua textura. Estas lesões ocorrem em sua maioria no polo inferior da patela. Nos casos em que a lesão é no polo superior, sugere uma inflamação no mecanismo extensor.
Com a progressão da doença, o espessamento aumenta e surgem degenerações que podem estar acompanhadas de calcificações. Em fases mais avançadas, surgem as rupturas parciais no interior do tendão provocando seu enfraquecimento e podendo levar à ruptura completa, causando a perda da função do mecanismo extensor.
Um caso bem conhecido foi o que ocorreu com o ex-jogador de futebol Ronaldo. Atletas que treinam mais de três vezes por semana são mais suscetíveis à tendinopatia patelar. A freqüência, o voume e a intensidade dos treinos e competições também influenciam no desenvolvimento dos sintomas.
Vale lembrar que os atletas de fins de semana não possuem uma musculatura forte e um tendão com viscosidade suficiente para a prática de esportes, o que também os torna mais propensos à lesão.
Tratamentos - Há uma ampla variedade de modalidades fisioterapêuticas na abordagem das lesões do tendão patelar para controlar a dor, o edema, a inflamação e o espasmo muscular. Dependendo da fase da lesão, pode-se utilizar crioterapia ou termoterapia, além de protocolos de alongamento e exercícios ativos isométricos e isotônicos, à medida que o tratamento progredir. Na fase inicial da lesão é de extrema importância que se trabalhe com exercícios excêntricos.
Outra alternativa é a utilização de equipamentos de eletroterapia como ultrassom, laser e estimulação elétrica. O ultrassom pode estimular fibroblastos a produzir colágeno in vitro e melhora o retorno da força mecânica durante o reparo de lesões agudas do tendão.
Por sua vez, o laser tem mostrado aumento da produção de colágeno. Segundo estudos citados pelo Instituto Cohen em 2008, a combinação de ultrassom, laser e estimulação elétrica demonstra melhoras na biomecânica e bioquímica do tendão.
O uso dessas modalidades, no entanto, ainda é baseado em evidências circunstanciais e são necessários mais estudos e pesquisas para conhecer a melhor indicação de cada modalidade.