Nelson aproceitou cada momento da Maratona de Nova York
Foto: Arquivo Pessoal
Este ano completo 18 anos participando de corridas de rua e neste texto vou falar um pouco sobre as cinco principais em minha vida. Foram muitas. Grandes, pequenas, longas, curtas, bem organizadas, mal organizadas, divertidas, chatas, fáceis, difíceis, em ruas, praias, trilhas, dunas, estradas, bairros e etc.
Impossível lembrar-se de todas, injusto não falar de outras, mas estas cinco tem um espaço especial na memória, devido às muitas emoções que provocaram e a todo o significado que tiveram em cada momento da vida que aconteceram.
Maratona de Nova York 1998 - New York Runners
Ganhei a inscrição e a viagem de duas alunas, com direito a uma semana hospedado na cidade, visita a museus, shows, bairros interessantes, lojas, restaurantes e etc. Aquela multidão nas ruas gritando “Go Brasil” e “Go Nelson” foi sensacional. Os bairros de negros, de judeus, mexicanos, com as crianças sentadas na rua, todas vestidas de forma igual, e pessoas com faixas de incentivo. Crianças com as mãos estendidas transmitindo aquela força, prédios bonitos, locais históricos e tudo mais. Realmente uma corrida inesquecível, que deixou várias lembranças e vários ensinamentos durante todo o processo de preparação e participação.
Como seria a primeira maratona das duas alunas, combinei que correria com elas ao invés de ir no meu ritmo e acabamos fazendo também quase todos os treinos juntos. Foi o máximo participar de um mega evento tão bem organizado e correr naquele lugar tão lindo, sobretudo pelo fato de saber que estava servindo de ponte para a realização de um grande sonho para ambas.
Uma das alunas estava melhor, resolveu ir para frente e fechou em 4h08. A outra e eu fomos juntos até o final e completamos em 4h32. Demorou o tempo exato para eu curtir cada segundo daquela prova como ninguém!
Meia Maratona de São Paulo 2003 - Corpore
Nunca na vida treinei tanto para uma corrida, como treinei para esta. No ano anterior havia passado mal em outra meia maratona no Rio de Janeiro, que até hoje foi a única prova que não conclui. Mas tudo serviu de aprendizado e de combustível para que durante cinco meses eu treinasse como se fosse representar o Brasil na Maratona Olímpica! Foram treinos longos, curtos e fortes com chuva e com sol, planejamento muito detalhado, provas preparatórias, concentração, dedicação, muitas renúncias e muito sacrifício para concretizar o ousado projeto de percorrer a distância com média abaixo de 4min/km.
Realizei os melhores treinos de minha vida ao longo da preparação, bati meus recordes nas distâncias menores, fiquei magro com cara de doente, mas fui para aquela prova com toda a confiança e vontade do mundo. Durante cinco meses eu pensei naquele dia e naquela meta!
Ao contrário do que recomenda a sabedoria popular, contei para quase todo mundo que conhecia sobre minha meta ambiciosa, pois sabia que quanto mais cobrança eu tivesse, mais me dedicaria aos treinos em me esforçaria no dia da prova.
E foi que aconteceu. Larguei na Elite B por ter conseguido o índice técnico nas preparatórias, passei os 10 quilômetros em 39min30 com sobra, os 15 com 59min30, tive uma pequena queda de ritmo em um trecho de sobe e desce próximo ao quilômetro 18, mas me vali e lembrei-me de todos os treinos sofridos que fiz e cruzei a linha de chegada feliz da vida com 1h24min23. Missão cumprida. Dia inesquecível aquele que eu consegui realizar o sonho de correr a Meia Maratona abaixo de quatro minutos por quilômetro.
10 km A Tribuna de Santos 2003 – A Tribuna de Santos
Após ter concluído a meia maratona para a qual tanto treinei, só trotei e descansei por duas semanas. Estava inscrito na Tribuna e fui lá só para me divertir, sem a mínima intenção de melhorar meu recorde pessoal que era de 37min55. Mas Santos é uma cidade que faz parte de minha história. Meu pai nasceu e foi criado em Santos, onde passei várias férias legais, tenho muitos parentes e sempre achei uma cidade muito acolhedora. Acho que não preciso nem dizer para qual time de futebol eu torço!
Como não tinha nada a perder, já passei forte o primeiro quilômetro, me empolguei muito com aquela multidão de gente nas ruas gritando e os quilômetros foram passando de forma muito rápida. No fundo não esperava de maneira alguma correr abaixo dos 38 minutos novamente, mas definitivamente aquele era meu dia e oportunidade é uma coisa que agente não pode e não deve deixar passar na vida de forma alguma.
Com 29 minutos e pouco de prova, meu relógio acusava que eu havia batido meu recorde nos três, nos cinco, nos seis e nos oito quilômetros. Entrei nos últimos quilômetros disputando posições com alguns outros amadores, senti aquela vibração enorme da torcida, resolvi entrar no clima, comecei sorrir para todos os lados e levantar os braços agradecendo as palmas como se estivesse liderando a prova. Fui avistando o pórtico ficando cada vez mais perto, acelerei mais uma vez nos últimos 200 metros e cruzei a faixa de chegada. O relógio marcava 37min16 e eu acabava de obter meu recorde pessoal. Foi andar um pouco, sentar na calçada e ficar sorrindo à toa por um bom tempo feito um bobo, não acreditando no que estava acontecendo!