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Conservantes, transporte e hormônios prejudicam os alimentos?


Por Prof. Danilo Balu | 21/12/2011 - Atualizada às 18:41

Alimentos orgânicos não são, necessariamente, mais saudáveis
Alimentos orgânicos não são, necessariamente, mais saudáveis
Foto: Stock.Xchng
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Por volta de 1800, o economista e estatístico Thomas Malthus criou o que seria a Teoria Populacional Malthusiana. Segundo ela, haveria uma terrível falta de alimentos porque a população crescia muito rápido em função das melhoras com saneamento básico e depois por causa da Revolução Industrial. A produção de alimentos para ele não acompanharia esse ritmo.

Malthus não viu (nem tinha como prever) a Revolução Verde entre os anos 1960 e 1970: novas práticas agrícolas (fertilizantes e agrotóxicos), melhoramento genético das sementes, mecanização e enorme redução dos custos. Se hoje existe a fome no mundo (e ela ainda é grande!) é pela concentração desigual, a produção de alimentos hoje pode alimentar duas vezes a população humana.

Entra nessa conta ainda a redução dos custos e do tempo de transporte e a melhora da conservação, já que hoje muitos lares possuem geladeira. O alimento em nossa geração está muito mais barato.

Agrotóxicos - Tudo que é novo assusta. Décadas atrás o uso intensivo de pesticidas foi iniciado sem muito cuidado com as consequências então ainda desconhecidas. As regras foram alteradas e hoje foram criadas leis rígidas de controle de agrotóxicos. Para ser sucinto, o uso de agrotóxicos controlados não traz qualquer prejuízo à saúde das pessoas. Uma extensa e séria pesquisa britânica comprovou que alimentos orgânicos não possuem nenhuma vantagem nutricional. O papel de quem se preocupa com sua alimentação é o de se certificar de consumir alimentos de produtores de origem conhecida.

Hormônios - O uso de hormônios na pecuária é proibido no Brasil, mas liberado nos EUA, por exemplo. O problema é que quase metade da carne consumida no Brasil vem de abatedouros clandestinos, assim não há qualquer controle desse produto. O consumidor deveria consumir apenas carne de origem conhecida, aquela dos grandes produtores.

Transporte - O maior “inimigo” do teor nutricional de frutas e legumes não é o transporte, mas a conservação deles. Alimentos abertos, “machucados”, ou cozidos podem perder muito de seu valor nutricional por causa da oxidação de algumas vitaminas e minerais. E essa oxidação não se resolve apenas evitando o contato com o ar porque a luz também é outro vilão nessas horas.

Como o transporte também pode levar dias, alguns alimentos são colhidos antes de sua maturação ótima, o que tira também um pouco do seu valor nutricional.

Como o leitor pode ver, há perdas e elas são inevitáveis a menos que tenhamos cada um seu próprio pomar o que com a atual tecnologia é impossível. Há aspectos muito mais importantes com os quais o indivíduo deve se preocupar em sua alimentação. Uma dieta saudável e variada oferece todos os micronutrientes necessários e em quantidade adequadas. Essa dieta pode passar tranquilamente por alimentos produzidos com o uso de pesticidas e frutas que vêm de longe, até mesmo de outros países.

Prof. Danilo Balu


Consultor Webrun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP). Mais no blog: www.baluzao.com

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