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Mulheres

Marily dos Santos: da lavoura para as corridas


Por Alexandre Koda | 08/03/2007 - Atualizada às 07:15

Marily em 2005, durante preparação para a São Silvestre
Marily em 2005, durante preparação para a São Silvestre
Foto: Divulgação
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Confira a história da corredora de elite Marily dos Santos, que nasceu, como ela mesmo diz, “no meio do mato”, começou a correr por ser muito ativa e hoje desponta como um dos principais nomes do esporte brasileiro.

Ao conversar com essa simpática figura, o sotaque logo mostra que Marily vem da região nordeste do Brasil. Natural de Joaquim Gomes, cidade a 71 km de Maceió, ela trabalhou na roça com os pais durante a infância e adolescência e, mesmo sem perceber, a corrida já fazia parte de sua vida. “Quando eu tinha uns três ou quatro anos, eu já corria em vez de andar. Eu ia comprar um sabão, por exemplo, e não conseguia ir caminhando, ia correndo”, comenta.

Ao perceber que ela tinha essa “inquietação”, seus familiares sem querer acabaram incentivando a jovem a correr ainda mais. “Tudo quanto era recado o pessoal me mandava entregar”, lembra. E durante toda a infância Marily correu pelas lavouras até que foi convidada por seu primo, José Carlos Santana, para correr uma prova em Maceió.

José Carlos é atleta profissional, conquistou três vezes a Maratona do Rio de Janeiro, uma medalha de prata no Pan de Cuba, em 1981 e colocou a prima para correr 10 quilômetros com várias atletas de renome na região. “Tinha mais ou menos 300 atletas, entre homens e mulheres e eu obtive o quarto lugar na geral”, lembra com satisfação.

Correndo em definitivo - Depois desse dia ela começou a pegar gosto pelo esporte e, mais uma vez por incentivo do primo, participou de uma prova de 17 quilômetros. “Depois dessa prova eu fiquei toda dolorida e pensei comigo mesma que não ia correr mais. Mas, meu coração ficava dizendo para eu correr e comecei a participar de corridas em várias cidades”. A partir daí ela resolveu definitivamente que trocaria a roça pelas pistas.

Aos 19 anos, Marily se mudou com José Carlos para Juazeiro, com o intuito de treinarem juntos. “Na minha família todos gostaram da idéia, menos meu pai. Como o único corredor que ele conhecia era meu primo, achou que corrida não era coisa para mulher. Mas depois ele entendeu”, lembra. Diferentemente do pai, os homens com quem ela encontrava nas provas sempre a aplaudiam e alguns até se animavam em incentivar as irmãs para entrar no meio e seguir o exemplo de Marily.

Quando ela começou a treinar com o primo, ele logo percebeu que não seria a pessoa mais indicada para orientá-la, pois não era professor de educação física, então resolveu apresentá-la para um treinador em Salvador (BA). “A partir daí eu comecei a treinar todos os dias e fui evoluindo até chegar entre as primeiras”, lembra com orgulho.


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