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Tempo seco, poluição, esportes e coração


Por Dr. Nabil Ghorayeb | 10/11/2010 - Atualizada às 07:30

A baixa umidade relativa do ar não é recomendada para a prática de esportes
A baixa umidade relativa do ar não é recomendada para a prática de esportes
Foto: Nelson Antoine/ Fotoarena
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Essa rima é realmente um desastre do século 21. Muito já foi dito, mas o assunto continua de grande importância para nós na cardiologia clínica e do esporte.
Os problemas médicos decorrentes do tempo seco vão desde alergias diversas e respiratórias consequentes ao ressecamento das mucosas, além de sangramento ou laivos de sangue pelo nariz, ressecamento da pele e irritação conjuntival.

O esportista necessita da sudorese abundante para equilibrar a temperatura corporal durante os exercícios físicos, com a baixa umidade ambiental, corre o risco de desidratação, hipertermia e complicações como a rabdomiólise (como ocorreu num corredor da meia maratona do RJ em julho 2010 que veio a falecer). Isso sem falar da queda de performance, também pela dificuldade de respiração durante esportes ao ar livre.

Além de beber muita água, ter cuidado com os isotônicos devido ao seu conteúdo de sal e glicose, procurar reduzir a carga de treinamentos e antecipar os horários de treino para antes das 9h. Para evitar a desidratação, prefira ambientes fechados, com sistema de umidificação. Caso perceba qualquer sintoma no ouvido, nariz ou garganta durante o exercício, pare imediatamente a atividade. E preste muita atenção na intensidade do esforço físico, e não ultrapasse este limite.

Os banhos não devem ser quentes e se deve evitar o uso de buchas, que retiram a proteção de gordura normal da pele.

Aqui vão algumas recomendações gerais que utilizam uma escala empírica de umidade, do Centro de Pesquisas Meteorologicas e Climáticas na Agricultura/Unicamp, como padrão para se evitar os danos à saúde humana pela baixa umidade relativa do ar. Essa escala é usada rotineiramente durante a época de Primavera quando a baixa umidade do ar, além de indicar o perigo de incêndio em áreas vegetadas, pode comprometer seriamente a saúde humana.

Entre 20 e 30% - Estado de Atenção

  • Evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11 e 15 horas
  • Umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas, recipientes com água, molhamento de jardins etc.
  • Sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol, em áreas vegetadas etc.
  • Consumir água, sucos e frutas à vontade.

    Entre 12 e 20% - Estado de Alerta

  • Observar as recomendações do estado de atenção
  • Suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10 e 16 horas
  • Evitar aglomerações em ambientes fechados
  • Usar soro fisiológico para olhos e narinas e cremes hidratantes

    Abaixo de 12% - Estado de emergência

  • Observar as recomendações para os estados de atenção e de alerta
  • Determinar a interrupção de qualquer atividade ao ar livre entre 10/16 hs como aulas de educação física, coleta de lixo, entrega de correspondência etc.
  • Determinar a suspensão de atividades que exijam aglomerações de pessoas em recintos fechados como aulas, cinemas etc entre 10-16h
  • Durante as tardes, manter com umidade os ambientes internos, principalmente quarto de crianças, hospitais etc.

    Nos dias mais poluídos, por elevação dos níveis de Dióxido de nitrogênio (NO2) dos escapamentos desregulados e do Dióxido de enxofre (SO2) da combustão dos combustíveis com muito enxofre, temos danos graves à saúde. Portanto, exercícios só em locais afastados das ruas e avenidas, ventilados (ex. orla marítima e parques) ou salas climatizadas (boa umidade sem poluição).

  • Dr. Nabil Ghorayeb


    Consultor Webrun sobre Cardiologia do Esporte. Especialista em Cardiologia e em Medicina do Esporte; Doutor em Cardiologia pela FMUSP. Também é chefe da Seção Médica de Cardiologia do Exercício e Esporte do Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia – (11) 5085-6228.

    Coordenador Clínico do SPORT CHECK-UP HCor - Hospital do Coração - (11) 3053-6611. Além de coordenador do Serviço de Cardiologia do Instituto Runner de Ensino e Pesquisa (Academias RUNNER). O telefone do seu outro consultório clínico é (11) 2273-7311.

    Ele também é autor dos livros de medicina: O Exercício (prêmio Jabutí); Tratado de Cardiologia do Exercício e do Esporte; Métodos Diagnósticos em Cardiologia, além do livro de orientações para leigos: Ninguém Morre de Véspera. Site: www.cardioesporte.com.br

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