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Saiba o que é o BikeFit e sua importância


Por David Homsi | 08/08/2011 - Atualizada às 18:19

Diferentes bicicletas exigem diferentes posicionamentos
Diferentes bicicletas exigem diferentes posicionamentos
Foto: Paul Chessare/Stock.Xchng
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Como alguns de meus leitores sabem, por muitos anos treinei e pratiquei o Triathlon, anos em que eu cursava a faculdade de Fisioterapia e me dediquei ao esporte também. Lembro bem daquela época em que comprávamos a bike, erguia-se o banco, deixava confortável o guidão e assim saia para as famosas pedaladas.

Hoje muita coisa mudou, os treinos evoluíram as bikes estão cada vez mais leves, sapatilhas que se adaptam aos pés e assim por diante. Devido à grande demanda de meus pacientes (em sua grande maioria triatletas), comprei uma bike e a partir de agora poderei acompanhá-los nos treinamentos. Antes de mais nada, fui fazer o famoso BikeFit. Surgiu então a dúvida: se havia alguém apto a realizar este procedimento em minha bike, aliás, em mim e na bike.

Optei por um atleta que trabalha com isso, o Fábio Ludão, experiente ciclista Brasileiro e também um cara que se dedica a realizar o BikeFit e ajustes nas bikes dos atletas, aqui em São Paulo. Um bate papo que antecede o início do BikeFit é importante, pois determina seus objetivos (treino e/ou competição) para que ele possa ajustar a bike da melhor forma possível.

Diferentes bicicletas exigem diferentes posicionamentos. Uma bike de contra-relógio será regulada de uma forma diferente de uma de ciclismo, e diferente ainda quando comparada a uma de triathlon, ainda que elas pertençam a um mesmo cliente. É muito comum fazer a avaliação em duas ou até mesmo três bicicletas de um mesmo ciclista e para cada uma as regulagens são diferentes.

O que é o Bikefit?

Nada mais é do que adequar a bicicleta à um ciclista, o especialista no esporte pode proceder com o BikeFit fazendo, a princípio, cinco ajustes:

  • Altura do selim, anteriorizar ou posteriorizar o selim, altura do guidão e sua distância do ciclista (comprimento da mesa), comprimento do braço do pé-de-vela e o posicionamento do pé.

    E qual a importância do Bikefit?

    Hoje todos os atletas que praticam triathlon, ciclismo e mountain bike, procuram além de desempenho, evitar lesões e esforços com a má postura ou até mesmo com uma pedalada ineficaz – ineficiente, causando assim maior esforço e por consequência diminuindo o rendimento e fadigando a musculatura.

    Enquanto os ajustes foram sendo feitos, fiquei por longos períodos pedalando, posso dizer que isso já foi o treino do dia, pois só assim o profissional que faz o BikeFit poderá ver todos os “erros e compensações” possíveis durante as pedaladas.

    Por várias vezes ouvi: acelera, pedalada, clipa (pegar o guidão à frente), pedala
    Lento e assim por sucessivas vezes.

    O BikeFit feito de uma forma correta, imaginando a biomecânica do movimento e postura do atleta na bike pode fazer com que o atleta melhore até 20% sua performance quando está corretamente posicionado na bike.

    Segue abaixo uma lista com os principais defeitos quando não realizado um BikeFit e as principais patologias (dores) que podem surgir:

  • Selim alto demais: faz com que a pedalada fica quebrada e perca eficiência. O ciclista rebola quando visto por trás. Nestes casos é muito comum uma dor na região lateral do joelho (a conhecida STIT – Síndrome do Tracto Ílio Tibial)

  • Selim baixo demais: além de não produzir a energia ideal, um selim muito baixo pode acarretar DORES na região anterior do joelho, tais como tendinite patelar, aumentar desgaste da cartilagem articular (condromalácea), principalmente em mulheres

  • Selim muito para frente: durante a pedalada o joelho passa da linha do eixo do pedal e pode provocar dores no tendão patelar, também conhecida como dor anterior no joelho

  • Selim muito para trás: pode gerar dores na região posterior da coxa, em casos de triatletas um cuidado deve ser tomado, pois logo após a bike, eles irão enfrentar longos períodos de corrida

  • Taquinho muito para frente: haverá menos apoio na base do pé do ciclista. Fora do alinhamento do metatarso, há perda de força na pedalada causando dores na região dos dedos podendo até irradiar à panturrilha

  • Taquinho muito para trás: a pedalada passa a ter como base o meio do pé e pode acarretar dores na sola do pé, inflamação da fáscia plantar (fasciíte plantar)

  • Taquinho aberto ou fechado: pode acarretar lesões nos ligamentos colaterais

  • Guidão anteriorizado: causa dor lombar, dor na região dos ombros e na escápula

  • Guidão muito alto: apesar de causar uma sensação de “conforto” no ombro, pode causar uma dor excessiva na lombar e na região posterior da coxa.


  • David Homsi


    Consultor Webrun da seção Fisioterapia. Ministra cursos e palestras em diversas universidades e congressos no Brasil. Fisioterapeuta com experiência internacional e especialista em fisioterapia esportiva pela Sonafe (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva) e FMU, além de ser mestrando em Ciências da Reabilitação. Professor da pós-graduação da FAGAMMON em reabilitação músculo esquelética esportiva. Hoje está na equipe de medicina esportiva Dr. Osmar de Oliveira. Site: www.davidhomsi.com.br

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