Diferentes bicicletas exigem diferentes posicionamentos
Foto: Paul Chessare/Stock.Xchng
Como alguns de meus leitores sabem, por muitos anos treinei e pratiquei o Triathlon, anos em que eu cursava a faculdade de Fisioterapia e me dediquei ao esporte também. Lembro bem daquela época em que comprávamos a bike, erguia-se o banco, deixava confortável o guidão e assim saia para as famosas pedaladas.
Hoje muita coisa mudou, os treinos evoluíram as bikes estão cada vez mais leves, sapatilhas que se adaptam aos pés e assim por diante. Devido à grande demanda de meus pacientes (em sua grande maioria triatletas), comprei uma bike e a partir de agora poderei acompanhá-los nos treinamentos. Antes de mais nada, fui fazer o famoso BikeFit. Surgiu então a dúvida: se havia alguém apto a realizar este procedimento em minha bike, aliás, em mim e na bike.
Optei por um atleta que trabalha com isso, o Fábio Ludão, experiente ciclista Brasileiro e também um cara que se dedica a realizar o BikeFit e ajustes nas bikes dos atletas, aqui em São Paulo. Um bate papo que antecede o início do BikeFit é importante, pois determina seus objetivos (treino e/ou competição) para que ele possa ajustar a bike da melhor forma possível.
Diferentes bicicletas exigem diferentes posicionamentos. Uma bike de contra-relógio será regulada de uma forma diferente de uma de ciclismo, e diferente ainda quando comparada a uma de triathlon, ainda que elas pertençam a um mesmo cliente. É muito comum fazer a avaliação em duas ou até mesmo três bicicletas de um mesmo ciclista e para cada uma as regulagens são diferentes.
O que é o Bikefit?
Nada mais é do que adequar a bicicleta à um ciclista, o especialista no esporte pode proceder com o BikeFit fazendo, a princípio, cinco ajustes:
Altura do selim, anteriorizar ou posteriorizar o selim, altura do guidão e sua distância do ciclista (comprimento da mesa), comprimento do braço do pé-de-vela e o posicionamento do pé.
E qual a importância do Bikefit?
Hoje todos os atletas que praticam triathlon, ciclismo e mountain bike, procuram além de desempenho, evitar lesões e esforços com a má postura ou até mesmo com uma pedalada ineficaz – ineficiente, causando assim maior esforço e por consequência diminuindo o rendimento e fadigando a musculatura.
Enquanto os ajustes foram sendo feitos, fiquei por longos períodos pedalando, posso dizer que isso já foi o treino do dia, pois só assim o profissional que faz o BikeFit poderá ver todos os “erros e compensações” possíveis durante as pedaladas.
Por várias vezes ouvi: acelera, pedalada, clipa (pegar o guidão à frente), pedala
Lento e assim por sucessivas vezes.
O BikeFit feito de uma forma correta, imaginando a biomecânica do movimento e postura do atleta na bike pode fazer com que o atleta melhore até 20% sua performance quando está corretamente posicionado na bike.
Segue abaixo uma lista com os principais defeitos quando não realizado um BikeFit e as principais patologias (dores) que podem surgir:
Selim alto demais: faz com que a pedalada fica quebrada e perca eficiência. O ciclista rebola quando visto por trás. Nestes casos é muito comum uma dor na região lateral do joelho (a conhecida STIT – Síndrome do Tracto Ílio Tibial)
Selim baixo demais: além de não produzir a energia ideal, um selim muito baixo pode acarretar DORES na região anterior do joelho, tais como tendinite patelar, aumentar desgaste da cartilagem articular (condromalácea), principalmente em mulheres
Selim muito para frente: durante a pedalada o joelho passa da linha do eixo do pedal e pode provocar dores no tendão patelar, também conhecida como dor anterior no joelho
Selim muito para trás: pode gerar dores na região posterior da coxa, em casos de triatletas um cuidado deve ser tomado, pois logo após a bike, eles irão enfrentar longos períodos de corrida
Taquinho muito para frente: haverá menos apoio na base do pé do ciclista. Fora do alinhamento do metatarso, há perda de força na pedalada causando dores na região dos dedos podendo até irradiar à panturrilha
Taquinho muito para trás: a pedalada passa a ter como base o meio do pé e pode acarretar dores na sola do pé, inflamação da fáscia plantar (fasciíte plantar)
Taquinho aberto ou fechado: pode acarretar lesões nos ligamentos colaterais
Guidão anteriorizado: causa dor lombar, dor na região dos ombros e na escápula
Guidão muito alto: apesar de causar uma sensação de “conforto” no ombro, pode causar uma dor excessiva na lombar e na região posterior da coxa.
David Homsi
Consultor Webrun da seção Fisioterapia. Ministra cursos e palestras em diversas universidades e congressos no Brasil. Fisioterapeuta com experiência internacional e especialista em fisioterapia esportiva pela Sonafe (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva) e FMU, além de ser mestrando em Ciências da Reabilitação. Professor da pós-graduação da FAGAMMON em reabilitação músculo esquelética esportiva. Hoje está na equipe de medicina esportiva Dr. Osmar de Oliveira. Site: www.davidhomsi.com.br